Gustavo Morceli nota que o debate sobre competências STEM ganhou centralidade à medida que escolas e organizações passaram a reconhecer a necessidade de preparar estudantes para contextos cada vez mais tecnológicos, interdisciplinares e orientados a problemas complexos. Nesse cenário, a robótica educacional passou a ser incorporada como uma das ferramentas mais recorrentes, não apenas pelo apelo tecnológico, mas pela capacidade de articular diferentes áreas do conhecimento em atividades práticas.
A presença da robótica no ambiente educacional, no entanto, não garante automaticamente o desenvolvimento de competências. O impacto real depende de como ela é estruturada, integrada e sustentada ao longo do tempo. Quando bem aplicada, a robótica deixa de ser atividade pontual e passa a funcionar como linguagem de aprendizagem, capaz de conectar ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Robótica como linguagem integradora das áreas STEM
Um dos principais diferenciais da robótica está na sua natureza integradora. Ao construir, programar e testar dispositivos, os estudantes são levados a mobilizar conceitos matemáticos, princípios físicos, noções de engenharia e raciocínio computacional de maneira simultânea. Esse processo favorece a compreensão de que o conhecimento não está compartimentado, mas interligado.
Ao contrário de abordagens excessivamente teóricas, a robótica cria situações em que o erro faz parte do aprendizado. Testar hipóteses, ajustar parâmetros e analisar resultados tornam-se etapas naturais do processo. Esse tipo de experiência contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de resolução de problemas, competências centrais no campo STEM.
Nesse contexto, Gustavo Morceli observa que a robótica funciona como ponte entre o conteúdo abstrato e a aplicação prática. Ao longo de duas décadas de atuação da PETE Robótica, essa característica se mostrou decisiva para transformar conceitos técnicos em experiências de aprendizagem mais significativas e duradouras.
Competências técnicas e socioemocionais no mesmo processo
Embora frequentemente associada a habilidades técnicas, a robótica educacional também contribui para o desenvolvimento de competências socioemocionais. Projetos em grupo exigem colaboração, comunicação e tomada de decisão coletiva. A necessidade de organizar tarefas, negociar soluções e lidar com frustrações amplia o alcance formativo da atividade.
Essas dimensões ganham relevância quando se considera que o mercado de trabalho valoriza cada vez mais profissionais capazes de trabalhar em equipe e aprender continuamente. A robótica, ao simular desafios reais em ambientes controlados, oferece espaço para o exercício dessas habilidades desde as etapas iniciais da formação.
Para Gustavo Morceli, o valor da robótica educacional está justamente nessa combinação. Ela permite que competências técnicas e comportamentais se desenvolvam de forma integrada, evitando a fragmentação entre “conteúdo” e “habilidades” que ainda marca muitos modelos educacionais.

O papel da continuidade para gerar impacto real
Um fator decisivo para o impacto da robótica no desenvolvimento de competências STEM é a continuidade. Projetos isolados, workshops pontuais ou ações desconectadas do currículo tendem a gerar engajamento momentâneo, mas não consolidam aprendizagens profundas.
Experiências mais consistentes costumam envolver progressão de desafios, retomada de conceitos e ampliação gradual da complexidade. Esse modelo permite que os estudantes avancem no domínio técnico ao mesmo tempo, em que refinam sua capacidade de análise e abstração.
A trajetória de 20 anos da PETE Robótica reforça esse ponto. Ao atravessar diferentes ciclos tecnológicos e pedagógicos, a empresa consolidou práticas baseadas a longo prazo, demonstrando que o desenvolvimento de competências STEM exige persistência, adaptação e visão estratégica, não apenas adoção de ferramentas.
Avaliação e evidências no ensino STEM
Outro aspecto relevante diz respeito à avaliação. Medir o impacto da robótica educacional vai além de verificar se o aluno concluiu um projeto ou fez um robô funcionar. É necessário observar processos, estratégias adotadas, capacidade de explicar escolhas e transferir aprendizados para novos contextos.
Quando alinhada a critérios claros de avaliação, a robótica oferece evidências ricas sobre o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Essas evidências auxiliam professores e gestores a ajustar práticas e a justificar a continuidade dos programas de STEM de forma mais consistente.
Conforme aponta Gustavo Morceli em análises sobre educação tecnológica, a consolidação da robótica como ferramenta de desenvolvimento STEM passa pela capacidade de transformar experiências práticas em dados pedagógicos relevantes.
Robótica educacional como investimento formativo
O impacto da robótica educacional no desenvolvimento de competências STEM não está no equipamento em si, mas na forma como ele é utilizado ao longo do tempo. Quando integrada ao projeto pedagógico, sustentada por formação docente e orientada por objetivos claros, a robótica se torna investimento formativo, não apenas inovação visível.
Gustavo Morceli conclui que, em um contexto de rápidas transformações tecnológicas, preparar estudantes para pensar, testar e resolver problemas de forma estruturada é um desafio permanente. A robótica educacional, quando tratada com maturidade e visão de longo prazo, contribui diretamente para esse objetivo, conectando aprendizagem, tecnologia e futuro de maneira consistente.
Autor: Julya Matroxy

