Botucatu registra nova queda nas internações por Covid após vacinação em massa; redução foi de 77%


Neste domingo (25), havia 22 moradores com a doença em UTIs ou enfermarias na cidade, número muito menor se comparado ao pico de 97 internados há 55 dias; redução de casos apresenta estabilidade há três semanas. Botucatu realizou vacinação em massa
Fernando Savioli/TV TEM
Botucatu (SP) registrou no domingo (25) uma redução de 77% no número de internações em UTIs ou enfermarias da cidade por causa da Covid-19 mais de dois meses depois da vacinação em massa. A cidade faz parte da pesquisa sobre a efetividade da vacina Oxford/AstraZeneca.
No dia 2 de junho, a cidade registrava um pico de internações com 97 moradores em UTIs ou enfermarias. Após 55 dias, este número caiu para 22 pacientes internados (queda de 77%) no domingo. Confira no quadro abaixo:
2 de junho: 97 internados (pico)
4 de julho: 45 internados
9 de julho: 39 internados
17 de julho: 27 internados
25 de julho: 22 internados
No dia 17 de julho, o município já havia anunciado a queda expressiva de 72% no número de pacientes internados com coronavírus.
Vacinação em massa em Botucatu volta a derrubar índice de internações por Covid
Já com relação ao número de casos diários, após quatro semanas seguidas de queda nos registros, os números começaram a apresentar estabilidade há três semanas, com leve alta – a média diária passou de 19 para 20 casos semanais.
Mesmo assim, Botucatu já registra após a ação de vacinação em massa, uma redução de 85,8% na média diária de novas notificações em relação ao pico de registros, que aconteceu do dia 6 a 12 de junho. Confira a evolução abaixo:
16 de maio a 22 de maio: 92 casos por dia (média)
23 de maio a 29 de maio: 91 casos por dia
30 de maio a 5 de junho: 93 casos por dia
6 de junho a 12 de junho: 141 casos por dia (pico)
13 de junho a 19 de junho: 73 casos por dia
20 de junho a 26 de junho: 40 casos por dia
27 de junho a 7 de julho: 27 casos por dia
04 de julho a 10 de julho: 19 casos por dia
11 de julho a 17 de julho: 20 casos por dia
18 de julho a 24 de julho: 20 casos por dia (média)
Conforme a avaliação de Carlos Fortaleza, professor da Unesp e coordenador da pesquisa, as quedas nos índices de casos têm apresentado como consequência a redução das internações dos pacientes, o que ameniza o risco de um colapso no sistema hospitalar.
De acordo com o pesquisador, a queda seguiu a expectativa inicial de que, a partir da segunda quinzena de junho, os registros de novos casos iriam começar a cair, o que realmente vem acontecendo.
83% da população com a 1ª dose
Pesquisadores que acompanham o estudo de efetividade da vacina veem essa queda pela terceira semana consecutiva já como reflexo da primeira dose da Oxford/AstraZeneca, mas o acompanhamento dos números pode reforçar essa relação.
O uso de máscara e o distanciamento social devem continuar sendo respeitados. De acordo com a prefeitura, assim como na primeira etapa, as ações de vacinação com a segunda dose vão acontecer nos dias 8 e 14 de agosto.
Os moradores que receberam a primeira dose no dia 16 de maio devem completar a imunização no dia 8 de agosto, que será um domingo. Já as pessoas que receberam o imunizante no dia 22 de maio devem tomar a segunda dose no dia 14 de agosto, sábado.
Botucatu permanece no primeiro lugar no número relativo de doses aplicadas no estado de São Paulo, segundo dados do Vacinômetro. Dos cerca de 148 mil habitantes, 123.705 receberam a primeira dose, o que equivale a 83,6% da população geral. A população adulta, porém, está basicamente toda vacinada, de acordo com a prefeitura.
Estudo da AstraZeneca
Botucatu (SP) realizou vacinação em massa dos moradores da cidade com a Oxford/AstraZeneca
Gabriela Prado/TV TEM
A vacinação em massa em Botucatu faz parte do projeto de estudo da vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), elaborado pela parceria entre a prefeitura, Ministério da Saúde, Governo Federal, Unesp, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, e Fundação Gates.
Desde o dia 16 de maio, que foi chamado de “Dia D” da vacinação em massa, quando mais de 66 mil pessoas foram vacinadas em uma estrutura igual à usada nas eleições, a cidade vem realizando ações para imunizar toda a população adulta, entre 18 e 60 anos, como parte do estudo, exceto as grávidas, que só podem receber doses da CoronaVac ou da Pfizer.
No dia 22, uma nova vacinação em massa foi realizada. Mais de oito mil pessoas se cadastraram para receber o imunizante e pouco mais de cinco mil doses foram aplicadas. Também foram feitas vacinações para estudantes da Unesp e de moradores da zona rural.
No dia 11 de junho, terminou a última etapa para vacinação das pessoas que não foram imunizadas nessas ações. Uma triagem foi feita durante toda a semana, do dia 7 ao dia 11, de pessoas que se cadastraram no site da prefeitura e receberam as orientações via SMS para uma nova avaliação de documentos para poder receber a dose da vacina.
Todo o processo de cadastro e vacinação em Botucatu tem o acompanhamento e auditoria realizados pelas Forças de Segurança do Município (Guarda Civil Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar), OAB Botucatu, Justiça Eleitoral, Ministério Público e Tribunal de Justiça de São Paulo.
Vacinação em massa em Botucatu contra a Covid-19
Reprodução/TV TEM
Sequenciamento genético
Após receber a vacina, o morador de Botucatu deve assinar um termo para autorizar, em caso positivo de Covid-19 depois da aplicação, os procedimentos para fazer o sequenciamento genético do vírus.
Entenda como será o sequenciamento genético das variantes do coronavírus
Essa análise do material genético de testes positivos é a principal ferramenta do estudo de efetividade. É com o sequenciamento genético que os cientistas vão descobrir se a vacina consegue reduzir tanto os casos graves da doença quanto a transmissão das variantes.
Para autorizar, é simples e seguro: basta assinar um documento. Esse tipo de termo é comum em pesquisas e foi aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão que monitora e fiscaliza a aplicação de políticas públicas do SUS. O termo garante sigilo dos dados, que só vão ser registrados pelos cientistas.
Botucatu reforça importância de assinar termo de consentimento para participar de estudo
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