Ernesto Kenji Igarashi mostra que a imagem que boa parte do público brasileiro ainda associa ao guarda-costas, o profissional corpulento posicionado atrás do protegido com expressão severa, é um retrato que descreve talvez o aspecto menos relevante de uma das atividades mais complexas e multidisciplinares do universo da segurança privada.
A proteção executiva contemporânea no Brasil começa muito antes de qualquer agente aparecer ao lado do protegido e exige competências que vão de análise de inteligência e gestão de rotas a gerenciamento de crise e protocolos de evacuação médica, dentro de um arcabouço legal específico que muitas organizações desconhecem até o momento em que precisam contratar o serviço. Continue a leitura para saber mais sobre o tema!
Quais órgãos estão autorizados a implementar a proteção executiva no Brasil?
A atividade de proteção executiva no Brasil é regulamentada pela Lei 7.102 de 1983 e pelas portarias do Ministério da Justiça e Segurança Pública que a complementam. Essa legislação estabelece os requisitos para o exercício da segurança privada, incluindo formação obrigatória em curso reconhecido pelo órgão regulador, aprovação em avaliação psicológica e de capacidade técnica, registro ativo na categoria de vigilante e, no caso das empresas prestadoras de serviços, autorização de funcionamento emitida pelo DELESP (Departamento de Controle e Avaliação de Segurança Privada).
Fora desse enquadramento, qualquer pessoa que realize a atividade de forma remunerada opera em ilegalidade, independentemente de competência técnica ou experiência prática acumulada. Ernesto Kenji Igarashi elucida que a proteção executiva, como atividade especializada dentro do escopo da segurança privada, exige formação complementar que vai além do curso básico de vigilante.
De que forma a tecnologia pode desempenhar um papel na proteção contra o perfil de ameaça emergente no Brasil em 2026?
O Brasil mantém indicadores de violência contra executivos e lideranças empresariais que justificam, por si sós, a demanda estrutural por proteção executiva no país. O estado de São Paulo, onde se concentra a maior parte das sedes corporativas de grandes empresas, registra historicamente números expressivos de sequestros relâmpago, extorsões e ações criminosas direcionadas a pessoas de alto perfil patrimonial. Mas o perfil da ameaça em 2026 é substancialmente mais diversificado do que as estatísticas tradicionais indicam.
Ernesto Kenji Igarashi salienta que as operações de proteção executiva mais demandadas atualmente não são apenas as que respondem a ameaças físicas diretas, mas aquelas que gerenciam situações híbridas em que a exposição digital do protegido, suas movimentações rastreáveis em redes sociais corporativas, a rotina previsível de deslocamentos e a vulnerabilidade de familiares compõem juntos um vetor de risco que nenhum elemento isolado consegue endereçar. É a combinação desses fatores, e não a presença de uma ameaça isolada e declarada, que define o nível de segurança pessoal necessário para cada perfil de protegido.

A decisão entre discrição e presença visível pode moldar a imagem da sua operação?
Uma das escolhas mais determinantes em qualquer operação de proteção executiva é o nível de visibilidade da equipe em relação ao ambiente do protegido. A proteção visível, com agentes identificáveis em posicionamentos claros, tem efeito dissuasório sobre ameaças oportunistas e sinaliza ao entorno que o protegido está sob guarda. A proteção discreta, com agentes integrados ao ambiente sem identificação imediata como equipe de segurança pessoal, reduz o perfil de alvo do protegido e é mais adequada para contextos em que a própria visibilidade da escolta representa um vetor de atração de atenção indesejada.
Ernesto Kenji Igarashi destaca que a decisão entre um modelo e outro, ou entre uma composição híbrida que alterne os dois conforme o contexto, deve derivar diretamente do diagnóstico de ameaças e do perfil comportamental e profissional do protegido, e não de preferências estéticas ou da percepção que o próprio executivo tem de como uma escolta deveria parecer.
Quais são os desafios na transição da proteção para uma abordagem política nas instituições?
Ernesto Kenji Igarashi conclui que a maturidade de uma organização em relação à proteção executiva de suas lideranças é visível na forma como ela estrutura e gerencia essa função. Organizações com baixa maturidade contratam guarda-costas de forma reativa, em resposta a incidentes específicos ou percepções de risco momentâneas, sem análise sistemática de ameaças e sem integração entre o plano de proteção individual e o planejamento estratégico de segurança institucional mais amplo. Esse modelo produz operações fragmentadas, de baixa eficiência e alto custo oculto, que raramente oferecem a cobertura real que os riscos identificados exigiriam.
A perspectiva que profissionais trazem ao campo da proteção executiva é essencial para conduzir organizações e seus conselhos a uma abordagem mais robusta: tratar a segurança pessoal das lideranças como política institucional contínua, com processos definidos, revisão periódica de ameaças e integração plena entre o guarda-costas, a equipe de inteligência de segurança e os protocolos corporativos de gestão de crise.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

