Com previsão de 709,1 milhões de toneladas e foco crescente em etanol, nova safra traz perspectivas positivas para produtores de regiões como Bofete e Botucatu.
O campo voltou a dar boas notícias. Depois de uma safra 2025/26 marcada por queda de produção e adversidades climáticas, o setor sucroenergético brasileiro começa um novo ciclo com perspectivas bem mais favoráveis. Isso afeta diretamente o cotidiano de municípios como Bofete, no interior de São Paulo, onde a cana-de-açúcar é uma das principais atividades econômicas da região. Entender o que muda nessa nova temporada é fundamental para produtores rurais, trabalhadores do campo e para quem acompanha o agronegócio de perto.
Os dados do 1º Levantamento de Cana-de-açúcar 2026/27, divulgado pela Conab, apontam que as condições climáticas observadas em 2025 devem refletir de maneira positiva nas lavouras desta safra, com recuperação de 3,4% no desempenho e uma produtividade média nacional estimada em 77.753 quilos por hectare. A área destinada à colheita também deve apresentar elevação de 1,9%, sendo projetada em 9,1 milhões de hectares, o que seria a maior área colhida da série histórica da Conab. São números que animam o setor depois de um período difícil. GOV.BR
O Que os Dados da Conab Significam Para os Produtores da Região
Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento, o Brasil deve colher 709,1 milhões de toneladas da cultura, crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior, volume que coloca a temporada como a segunda maior da série histórica do setor sucroenergético nacional. Para os produtores de São Paulo, que é o maior estado canavieiro do país, esse número tem uma tradução prática imediata: mais demanda das usinas, maior volume de contratos e potencial de melhora na remuneração por tonelada. Radardigitalbrasilia
O Sudeste lidera as projeções de crescimento. A região Sudeste, a principal do país, estima uma produção de 459,1 milhões de toneladas, 6,8% acima da safra anterior. A área colhida deverá crescer 2,1%, atingindo 5,7 milhões de hectares, com produtividade média de 80.852 kg/ha, crescimento de 4,6%. Para municípios do interior paulista que têm usinas nas proximidades, esses índices representam mais meses de moagem, mais empregos temporários e maior circulação de recursos na economia local. Mais Agro
Mas a alta de produção não significa necessariamente alta de preços para todos os produtos. O mercado do açúcar segue pressionado por excesso de oferta global, enquanto o etanol apresenta perspectivas mais positivas. Essa dinâmica é decisiva para os produtores porque influencia diretamente o mix que as usinas escolhem adotar, ou seja, se direcionam mais cana para açúcar ou para biocombustível. Em 2026/27, a tendência clara é a de priorizar o etanol.
Etanol Ganha Força e Muda a Estratégia das Usinas
O setor abriu o novo ciclo com foco no etanol. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem na região Centro-Sul alcançou 19,56 milhões de toneladas, avanço de 19,67% sobre igual período do ciclo anterior. A fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 1,23 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de abril, alta de 33,32% em relação ao mesmo período da safra anterior. Esse arranque forte no início da safra já sinalizava a direção estratégica que o setor tomaria ao longo de 2026/27. UNICA
A expectativa é de produção de 40,69 bilhões de litros de biocombustível, crescimento de 8,5% frente à safra anterior. O cenário reflete mudanças estratégicas no mix das usinas, impulsionadas pela competitividade do etanol, aumento da demanda energética e busca por maior rentabilidade industrial. Para o produtor rural que fornece cana para as usinas da região de Bofete e Botucatu, essa movimentação pode significar renegociação de contratos e ajustes nas condições comerciais ao longo da safra. Radardigitalbrasilia
Outro componente que merece atenção é o etanol de milho, que segue em trajetória de crescimento acelerado. Embora Bofete não seja uma região com grande presença desse insumo, a expansão do milho como matéria-prima para etanol no Centro-Oeste influencia o mercado como um todo, porque aumenta a oferta total de biocombustível e afeta a formação de preços. Produtores e gestores de usinas que operam na região precisam considerar esse cenário amplo ao planejar a temporada.
Desafios Agrícolas Que Ainda Preocupam o Setor
A perspectiva favorável da safra 2026/27 não apaga os desafios que os produtores enfrentam no campo. O manejo fitossanitário segue exigindo atenção constante, especialmente diante de pragas que afetam diretamente a produtividade dos canaviais. O bicudo-da-cana-de-açúcar afeta o sistema radicular e reduz o desempenho produtivo ao longo dos ciclos. No manejo de plantas daninhas, espécies como capim-colonião, braquiária, capim-amargoso e corda-de-viola continuam exigindo controle rigoroso para evitar perdas expressivas de produtividade. Radardigitalbrasilia
Além das pragas, a variabilidade climática continua sendo uma incógnita relevante. Embora 2025 tenha sido mais ameno, o padrão de chuvas no interior de São Paulo segue imprevisível, e eventos extremos podem comprometer lavouras em qualquer momento da safra. Por isso, produtores que investem em tecnologia de monitoramento e em práticas de irrigação estratégica tendem a ter resultados mais estáveis do que aqueles que dependem exclusivamente da regularidade das chuvas.
Para os municípios da região de Botucatu e Bofete, acompanhar de perto os dados da Conab e da UNICA ao longo da safra é uma ferramenta valiosa de gestão. Saber o que está acontecendo no setor em nível nacional ajuda os produtores locais a tomar decisões mais informadas sobre colheita, estocagem e negociação com as usinas, garantindo que a boa perspectiva inicial da safra 2026/27 se transforme efetivamente em resultado econômico ao final do ciclo.
Fontes: Conab | UNICA | Radar Digital Brasília | Syngenta MaisAgro
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

