Fusca: o maior carro da história

Fez parte da vida de muitos brasileiros. É um modelo único e o mais vendido na história do automóvel. A história do Fusca é interessante pois, a partir dela, também se espelha os acontecimentos do século XX, passando por movimentos políticos e culturais. Fernando Siqueira Carvalho explica que o carro foi idealizado por um ditador e abraçado pelos hippies. O Fusca é o retrato de como o automóvel se tornou uma parte do nosso dia a dia e um reflexo das nossas ideias.

Tudo começou na Alemanha da década de 30. As sanções impostas depois da primeira guerra mundial colocaram a Alemanha em uma das maiores crises econômicas da história. Foi em meio a esse cenário conturbado que Adolf Hitler ascendeu à liderança do país em 1933 com projetos que contemplavam toda a vida social da família tradicional alemã, como o “Carro do Povo”.

O projeto inicial deveria levar dois adultos e três crianças, manter uma velocidade média de 100km/h, com motor traseiro radial de cinco cilindros (semelhante a motores aeronáuticos), ter bom consumo de combustível e custar menos de mil marcos, preço de uma boa motocicleta na época. Fernando Siqueira Carvalho comenta que apenas 210 KDF Wagen foram produzidos para o público até que toda toda a produção industrial cívil do país fosse paralisada para abrir espaço para as máquinas de guerra.

A partir de 1950, a Volkswagen chegou à América e ganhou rapidamente o nome de “beetle”. O carro se tornou um dos primeiros símbolos cult e da contracultura da história, ou seja, ter um beetle era sinal de protesto e de que não concordava com a indústria dos excessos. No entanto, a Volkswagen percebeu e logo capitalizou em cima, criando uma genial campanha de marketing sobre o ideal “pense pequeno”. A publicidade deu tão certo que em 1955 foi fabricado o carro de número 1 bilhão.

No Brasil, a história da Volkswagen também começou em 1950, quando os 30 primeiros modelos desembarcaram no porto de Santos. Desde o primeiro momento ele já foi um sucesso, sendo vendido por 60 mil cruzeiros, três vezes mais do que tinha sido avaliado na época. Fernando Siqueira Carvalho explica que foi no Brasil que o carro passou a ser chamado de Fusca e não muito tempo depois, em 1959, se tornou um “patrimônio nacional”, pois 54% de suas peças eram fabricadas aqui.

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