Técnica de enfermagem vacinada lembra que marido morto pela Covid pediu para ela não desistir da profissão: 'Coração emocionado'


Profissional de 40 anos recebeu a dose na tarde desta segunda-feira (18) em solenidade no HC de Botucatu, que contou com o governador João Doria. Técnica de enfermagem Jasilene Rosa de Lima Almeida, a primeira pessoa do centro-oeste paulista vacinada em solo brasileiro
Pedro Zacchi/TV TEM
“Estou emocionada por ser a primeira a receber essa vacina porque estamos em uma guerra na qual a gente se perguntava quando ia acabar. Confesso que estou com meu coração muito emocionado pelo fato de que nesta terça-feira faz 6 meses que perdi meu esposo de 43 anos para doença. Tenho dois filhos que me dão grande força, mas eu agradeço a equipe do HC.”
O desabafo é da técnica de enfermagem Jacilene Rosa de Lima Almeida, de 40 anos, que foi a primeira pessoa do centro-oeste paulista a receber a dose inicial da vacina contra a Covid-19.
A aplicação aconteceu durante solenidade realizada nesta segunda-feira (18) no Hospital das Clínicas de Botucatu (SP), uma das seis unidades de saúde que foram listadas para receber as vacinas no estado de São Paulo no primeiro dia do programa.
De acordo com a profissional, enquanto tomava a vacina, se lembrou do pedido do marido de que não era para desistir da profissão.
Técnica de enfermagem de Botucatu é a primeira pessoa vacinada no centro-oeste paulista
“Quando meu marido estava internado aqui ele falou: ‘nunca abandona por nada essa profissão que eu acho linda, porque vocês são heróis e um dia vocês vão vencer, e não vou voltar mais. Nesse dia meu coração partiu e, por isso, dou graças a essa vacina porque estamos conseguindo vencer a doença”, ressalta.
A profissional ainda falou sobre a importância de seguir as medidas de distanciamento social. “Continuem usando máscara, evitando aglomeração, porque ainda está difícil”, diz.
Técnica de enfermagem que perdeu marido pela Covid é a primeira vacinada do centro-oeste paulista
Fábio Linhares/TV TEM
Vacinação
A solenidade contou com a presença do governador João Doria (PSDB), que chegou a Botucatu após participar do início da vacinação em Campinas, no hospital da Unicamp.
O dia, considerado histórico para o Brasil e também para os 2.220 profissionais de saúde que trabalham no HC de Botucatu, foi ainda mais especial para a técnica de enfermagem, que perdeu o marido em julho do ano passado por complicações da Covid-19. Apesar da tragédia familiar, Jasilene fez questão de continuar trabalhando na linha de frente do combate à Covid.
Além dela, também foram vacinadas nesta segunda-feira mais 27 profissionais que atuam na linha de frente de combate à Covid-19 no HC de Botucatu, unidade considerada referência para o tratamento da Covid na região.
Dentre as profissionais que receberam a primeira dose da CoronaVac estavam a enfermeira Solene Sousa Vale, de 39 anos, e a residente da clínica médica geral Talins Alisson Artemis Lazzarin Silva, de 26.
Na solenidade, o governador falou sobre a entrega das vacinas no estado de São Paulo e criticou o governo federal.
“É surpreendente que o Ministério da Saúde, comandado por um general, que dizia ser especialista em logística, não consiga operar a logística da vacina. Que país é esse? Que não consegue fazer logística para vacina. Primeiro não compra seringa, depois não compra agulhas, depois não tem vacinas, depois ameaça o Instituto Butantan, não prepara ações futura de logística e ainda acrescenta-se a isso declarações negacionistas do presidente da república. É triste viver em um país onde em um momento em que disponibilizamos a vacina. E o governo não consegue fazer logística para chegar nos estados brasileiros. Felizmente no estado de são Paulo não dependemos do Ministério da Saúde”, afirma.
Lote de vacina CoronaVac chega ao Hospital das Clínicas de Botucatu
Pedro Zacchi/TV TEM
Antes da cerimônia, o dia foi de expectativa pela chegada das primeiras doses. Os caminhões que fazem o transporte da vacina saíram por volta das 8h do Centro de Distribuição e Logística (CDL) da capital e chegaram a Botucatu por volta das 16h50 carregados com mais de 4 mil doses da vacina.
No período da tarde, outros três caminhões foram para os HCs de Ribeirão Preto (USP) e Marília (Famema), bem como ao HB de Rio Preto (Funfarme).
Segundo a prefeitura de Marília, a vacinação começa nesta terça-feira (19) a partir das 13h.
Mais de 4 mil doses da CoronaVac chegam a Botucatu para imunizar profissionais do Hospital das Clínicas
Fábio Linhares/TV TEM
Milhares de doses da CoronaVac foram enviadas ao interior de SP nesta segunda-feira (18)
Governo de SP/Divulgação
Começo da imunização
A vacinação no país começou neste domingo (17) no Hospital das Clínicas, após Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, por unanimidade, o uso emergencial das vacinas CoronaVac, do Instituto Butantan, e da Universidade de Oxford.
A primeira dose da CoronaVac no Brasil foi aplicada já neste domingo (17), em uma enfermeira de São Paulo.
PLANTÃO: Anvisa forma maioria de votos a favor do uso emergencial das vacinas Coronovac e de Oxford
Segundo o governo do estado, as grades de vacinas e insumos também serão enviadas a polos regionais para redistribuição às prefeituras, com recomendação de prioridade a profissionais de saúde que atuam no combate à pandemia.
Os municípios também deverão imunizar a população indígena com apoio de equipes da atenção primária do SUS, segundo as estratégias adequadas ao cenário local.
A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, mostra seu cartão de vacinação após ser a primeira brasileira a receber a vacina CoronaVac no Hospital das Clínicas, em São Paulo, neste domingo (17)
Carla Carniel/AP
De acordo com o governo estadual, essas unidades foram selecionadas para a fase inicial porque são hospitais-escola regionais, com maior fluxo de pacientes em suas áreas de atuação, e todos devem iniciar nesta semana a vacinação de suas equipes, que totalizam 60 mil trabalhadores.
A divisão das grades considerou o quantitativo proporcional de vacinas esperado para São Paulo conforme o PNI (Programa Nacional de Imunizações), do Ministério da Saúde. O total de 1,5 milhão de doses é a referência para trabalhadores de saúde baseado na última campanha de vacinação contra a gripe.
O governo informou ainda que a campanha de imunização contra a Covid-19 em São Paulo será desenvolvida segundo a disponibilidade das remessas do órgão federal. À medida que o Ministério da Saúde viabilizar mais doses, as novas etapas do cronograma e públicos-alvo da campanha de vacinação serão divulgadas pelo Governo de São Paulo.
*Com informações de Fábio Linhares e Pedro Zacchi, da TV TEM.
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