Regiões de Bauru e Marília têm maiores taxas de ocupação de leitos de UTI Covid em SP, diz governo


Dados são do levantamento diário do governo estadual que já notificou a prefeitura de Bauru pelo não cumprimento das regras da fase vermelha. Reunião na Câmara de Bauru discutiu a situação dos leitos para atender pacientes com a sintomas da doença. Santa Casa de Jaú improvisa corredor para atender pacientes com Covid no pronto-socorro: lotação de 160% nesta quinta-feira (28)
Arquivo pessoal
Os Departamentos de Saúde de Bauru e Marília estão, atualmente, com as maiores taxas de ocupação de leitos de UTI em todo estado, segundo levantamento diário do governo estadual. Há dias, a ocupação nesses dois DRSs está acima dos 80%.
Nesta quinta-feira (28) teve uma reunião na Câmara de Bauru para discutir a situação dos leitos pra pacientes com Covid-19. Os vereadores fizeram várias perguntas ao vice-prefeito e também secretário de Saúde, Orlando Costa Dias, e um deles chegou a propor a instalação de um hospital municipal. A prefeitura, porém, informou que não tem verba disponível para isso.
Apesar da situação crítica da ocupação dos leitos no Departamento Regional de Saúde de Bauru (SP) e das críticas feitas pelos integrantes do Comitê de Contingência do Coronavírus do governo estadual, a prefeitura de Bauru mantém um decreto que flexibiliza as regras da fase vermelha na qual a cidade está classificada no Plano SP e que só permitiria abertura dos setores essenciais.
Câmara de Bauru discute a situação dos leitos para Covid na região
Segundo a prefeita Suéllen Rosim (Patriota), o decreto segue a realidade do município e foi embasado nos pareceres do comitê municipal de combate à Covid-19 e que, no momento, a cidade precisa de mais leitos de UTI.
“O que nós precisamos é da abertura de mais vagas de UTI. Nós tivemos uma diminuição de vagas e isso nos colocou no vermelho. Eu acompanho os índices diariamente, são alarmantes e eu divido essa preocupação com a população. Quando eu digo em manter os serviços é continuar atendendo a população na nossa medida e evitar as aglomerações, que é o crucial para nossa cidade. Cada um fazendo a sua parte e quanto ao governo do estado que nos devolvam os leitos para que a gente possa trabalhar pelo menos no laranja.”
Confira os números da pandemia de Covid-19 no centro-oeste paulista
Durante a coletiva de imprensa do governo do estado na quarta-feira (27), o secretário estadual de desenvolvimento regional, Marco Vinholi, disse que o descumprimento das regras previstas no Plano SP pode incorrer em crime contra a saúde pública.
O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi: descumprimento do Plano SP pode virar crime contra a saúde pública
Reprodução
“A prefeitura de Bauru incorre nesta questão e nós vamos cobrar para que ela possa zelar pela vida da população, fazendo a nossa parte em termos de leitos, mas encaminhando para o Ministério Público para que ele seja muito contundente nessas ações para que sejam tomadas as medidas cabíveis.”
O governo do estado também informou que já notificou a prefeitura pelo descumprimento da fase vermelha. Em nota, a prefeitura disse que recebeu a notificação e encaminhou para análise do setor jurídico. Em entrevista ao TEM Notícias, a prefeita negou que as ações têm colaborado para propagação do vírus e que medidas para combater o avanço da Covid têm sido tomadas.
“O que nós estamos fazendo é adequar a nossa realidade em Bauru e todas as medidas para impedir a propagação ainda maior do vírus estão sendo tomadas. Nós aumentamos a fiscalização, fechamos a cidade depois das 20 horas e estamos cobrando os leitos de UTI e também as vagas de internação de maneira geral que é um problema de anos que a gente enfrenta com o Pronto-socorro sempre lotado. Não existe um afrouxamento, existe a fiscalização e o que nós fizemos foi adequar as medidas a nossa realidade.”
Leitos da região
Confira a situação dos leitos de UTI para Covid nas principais cidades do Departamentos Regionais de Saúde de Bauru (DRS-6) e Marília (DRS-9).
A maior parte das unidades hospitalares apresenta taxas consideradas críticas. Algumas apresentam índice superior a 100%, o que significa que todos os leitos estão ocupados e ainda há pacientes internados à espera dessas vagas. Confira:
Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6)
Ocupação geral: 86,3%
Santa Casa de Jaú – 25 leitos UTI*
Ocupados: 40
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 160%
* ainda tem 10 leitos de UTI privados, com 8 ocupados
Hospital das Clínicas de Botucatu – 30 leitos
Ocupados: 30
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Hospital Geral de Promissão – 12 leitos
Ocupados: 12
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Santa Casa de Lins – 5 leitos
Ocupados: 5
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Hospital Casa Pia de São Manuel – 5 leitos
Ocupados: 5
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Hospital Estadual de Bauru – 50 leitos
Ocupados: 49
Disponíveis: 1
Taxa de ocupação: 98%
Hospital N. S. Piedade de Lençóis Paulista – 10 leitos
Ocupados: 7
Disponíveis: 3
Taxa de ocupação: 70%
Santa Casa de Pederneiras – 5 leitos
Ocupados: 2
Disponíveis: 3
Taxa de ocupação: 40%
Departamento Regional de Saúde de Marília (DRS-9)
Ocupação geral: 84,3%
Santa Casa de Marília – 10 leitos
Ocupados: 10
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Hospital das Clínicas de Marília – 30 leitos
Ocupados: 29
Disponíveis: 1
Taxa de ocupação: 97%
Hospital Unimar – 20 leitos
Ocupados: 19
Disponíveis: 1
Taxa de ocupação: 95%
Santa Casa de Ourinhos – 10 leitos
Ocupados: 10
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Santa Casa de Paraguaçu Paulista – 2 leitos
Ocupados: 2
Disponíveis: 0
Taxa de ocupação: 100%
Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo – 10 leitos
Ocupados: 9
Disponíveis: 1
Taxa de ocupação: 90%
Hospital São Lucas de Garça – 6 leitos
Ocupados: 5
Disponíveis: 1
Taxa de ocupação: 80%
Santa Casa de Tupã – 15 leitos
Ocupados: 11
Disponíveis: 4
Taxa de ocupação: 73%
Várias unidades do centro-oeste paulista, como em Jaú, apresentam situação de colapso pela falta de vagas
Arquivo pessoal
Polêmica
As medidas da prefeitura tiveram o apoio do promotor da Saúde Pública de Bauru, Enilson Komono, que chegou a classificar o Plano SP de “enganoso” e recebeu duras críticas do coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, também durante a coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.
Gabbardo afirmou que os membros do Centro de Contigência se sentiram “agredidos” com afirmações de Komono de que o Plano São Paulo seria enganoso. Disse também que o promotor demonstrou ignorância e irresponsabilidade ao acusar o estado de ser negligente e que a prefeitura, com as medidas de flexibilização, seria responsável pelo aumento dos casos e mortes pela Covid-19.
O coordenador do Centro de Centro de Contingência apresentou dados estatísticos que indicariam que o quadro da pandemia apresenta uma linha ascendente de gravidade nos últimos dias em Bauru.
Segundo números apresentados por Gabbardo, nos últimos quatro dias, no período entre os dias 22 e 26 deste mês, o índice de leitos de UTI em Bauru cresceu de 12,9 unidades por 100 mil habitantes para 13,7 leitos.
E, mesmo com esse aumento, diz o dirigente, a taxa de ocupação de leitos de UTI também subiu no mesmo período, de 84% para 86,4%. Outro indicador que também subiu, segundo o governo, foi o de novos casos positivos de Covid-19, de 456 para 496 casos por 100 mil habitantes.
Em resposta às críticas, o promotor enviou uma nota ao WhatsApp da TV TEM, onde afirmou que era o estado que ignorava a situação de Bauru e que vinha há anos diminuindo ao invés de aumentar o número de leitos, sendo essa situação inclusive alvo de ações do MP contra o governo estadual.
O promotor também enviou enviou na tarde desta quarta-feira (27) um ofício à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da cidade solicitando apuração por eventual prática de improbidade administrativa do estado no caso da falta de leitos e do atraso na viabilização do Hospital das Clínicas (HC) no “predião” do Centrinho.
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