Menina com leucemia recebe transplante de medula do pai após doador 100% compatível pegar Covid: 'Não podia adiar', diz mãe


Alice Lopes Rodrigues, de Areiópolis (SP), passou o Natal e o aniversário de 7 anos no hospital, mas a medula 50% compatível do pai “pegou” e a família aguarda para saber se o transplante teve o resultado esperado. Menina de Areiópolis fez campanha para encontrar doador de medula óssea
Arquivo pessoal
A menina de Areiópolis (SP) que mobilizou as redes sociais no ano passado em busca de um doador de medula óssea acabou realizando o transplante com a doação do próprio pai, que é 50% compatível com a filha.
Alice Lopes Rodrigues, de 7 anos, tem leucemia e até chegou a encontrar um doador 100% compatível através do Redome, o registro nacional dos doadores de medula. No entanto, uma situação inesperada impossibilitou o transplante.
Segundo a mãe de Alice, Jéssica Lopes Sartorelli, o jovem de 24 anos que iria fazer a doação contraiu Covid-19 e a menina não podia esperar ele se recuperar para realizar o procedimento.
Conforme o Ministério da Saúde, o doador precisa ficar afastado do processo de doação por pelo menos 30 dias após a recuperação completa dos sintomas da doença.
“Tinham que aproveitar que ela estava bem clinicamente. Não tinha como esperar muito tempo. Pelo que eu entendi, como ele teve Covid, por ser uma doença mais nova, eles não sabem quanto tempo isso fica no corpo e se estava afetando a medula, então eles optaram por não esperar essa pessoa”, conta Jéssica.
Menina com leucemia, de Areiópolis, recebeu transplante de medula do pai
Arquivo pessoal/Jéssica Lopes Sartorelli
Tratamento
Alice fez o transplante em dezembro do ano passado em Barretos
Arquivo pessoal/Jéssica Lopes Sartorelli
Alice fazia tratamento no Hospital das Clínicas de Botucatu. Segundo os médicos relataram à família, era necessário que a menina fizesse quimioterapia até que as células cancerígenas estivessem zeradas. A partir disso, o transplante poderia ser realizado com um doador 100% compatível.
Apesar disso, a doença da Alice não entrou em remissão e os pais decidiram procurar tratamento para a menina no Hospital de Amor, em Barretos. Lá, a equipe médica decidiu fazer o transplante com a medula do pai de Alice, Flávio Rodrigues.
Alice passou o Natal no Hospital de Amor, em Barretos
Arquivo pessoal/Jéssica Lopes Sartorelli
“Eles falaram que tem chance de dar certo, mas cai um pouco. Porém, eles estão tendo bons resultados com transplantes assim”, explica Jéssica.
O procedimento foi realizado no dia 24 de dezembro, véspera de Natal e dois dias antes do aniversário de 7 anos da pequena, que comemorou a data no hospital.
Menina de Areiópolis comemorou o aniversário de 7 anos após transplante de medula
Arquivo pessoal/Jéssica Lopes Sartorelli
Recuperação
Jéssica contou que Alice ficou bastante debilitada depois do transplante e teve que ficar dois dias na UTI por causa da presença de bactérias na corrente sanguínea dela. Depois, a menina teve alta do hospital e está se recuperando bem, segundo a mãe.
“Ela ainda tem que ir para o hospital duas vezes por dia para tomar alguns medicamentos na veia, mas não tem mais necessidade de ficar internada. Nós alugamos uma kitnet em Barretos, fica só eu e ela”, conta a mãe.
Alice, de Areiópolis, foi diagnosticada com leucemia em maio do ano passado
Arquivo pessoal/Jéssica Lopes Sartorelli
Depois do transplante, Alice fez vários exames para saber se a nova medula estava “funcionando”. Segundo a mãe, a imunidade da menina começou a aumentar, o que significa que a medula do pai “pegou”.
“Para saber se funcionou mesmo demora um tempinho. Falaram que é bem longo o processo pós-transplante. Daqui uns dois meses vamos saber se a doença foi embora, se deu o resultado esperado”.
Família de Alice começou campanha para doação de medula óssea em Areiópolis
Jéssica Lopes Sartorelli/Arquivo pessoal
*Sob supervisão de Paola Patriarca.
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