Irmãos com doença rara recebem alta juntos após fazerem transplantes de coração com 48 horas de diferença


Gustavo e Paloma, de 18 e 19 anos, estavam no HC de Botucatu (SP) após cirurgia. Eles têm uma doença cardíaca genética e conseguiram doadores compatíveis no mesmo fim de semana. Irmãos com doença rara receberam alta do hospital na quinta-feira (22) após se recuperarem de transplantes de coração com 48 horas de diferença em Botucatu
Hospital das Clínicas de Botucatu/Divulgação
Os dois irmãos de Garça (SP) que fizeram transplantes de coração neste mês em um período de 48 horas de diferença receberam alta do Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) na quinta-feira (22).
Gustavo e Paloma, de 18 e 19 anos, receberam alta juntos após 11 dias de internação e retornaram para a residência onde moram, em Garça.
Durante a internação, os irmãos ficaram na UTI para que permanecessem isolados. Isso porque pacientes transplantados fazem parte do grupo de risco da Covid-19. Segundo o hospital, eles se encontravam e até mesmo almoçavam juntos neste período.
As fisioterapias e exercícios feitos na unidade de saúde colaboraram para a rápida recuperação dos jovens irmãos. Agora, eles continuam o período de recuperação em casa, mas ainda devem ir uma vez por semana ao ambulatório do Hospital das Clínicas para fazer acompanhamento.
Relembre a história
Os irmãos têm uma doença cardíaca, genética e rara chamada Doença de Danon. Segundo o coordenador clínico do programa de transplante cardíaco do HC da Unesp, Marcello Felício, essa doença tem um componente genético que é passado pelo lado materno.
“Essa doença acomete o coração, causando uma hipertrofia do músculo cardíaco. O músculo fica mais espessado e, em alguns casos, o coração pode também dilatar. Está associado a arritmias graves e muitos pacientes apresentam também morte súbita”, explica Felício.
Irmãos com doença rara recebem transplantes de coração no HC de Botucatu
O rapaz de 18 anos havia conseguido um doador compatível primeiro. No último dia 9, o órgão foi transportado do Paraná pela Força Aérea Brasileira. Enquanto ele se recuperava na UTI, no dia 11 deste mês, a irmã também conseguiu um coração compatível.
Para a mãe dos pacientes, que também já precisou passar pelo transplante do órgão e perdeu um filho de 15 anos com a mesma doença no ano passado, os jovens tiveram uma rara oportunidade de receber os corações.
“Como eu passei por um óbito dentro de casa, eu tinha muito medo de ver mais dois, então esse milagre que aconteceu dentro desses sete dias foi tremendo para mim. Até a medicina ficou abismada com o que aconteceu. No meio de uma pandemia, aparecerem dois corações assim para os dois irmãos foi muito lindo, não canso de agradecer”, declara Noeli Rodrigues de Souza.
Órgãos para transplante foram trazidos até o Hospital das Clínicas de Botucatu
Hospital das Clínicas de Botucatu/Divulgação
Doações na pandemia
Conseguir dois doadores em um período de dois dias é ainda mais difícil durante a pandemia de coronavírus. Os hospitais, com leitos lotados de pacientes com Covid-19, precisam isolar completamente quem recebeu transplante, e o sistema de saúde ainda precisa enfrentar outra barreira: a falta de doadores.
“No Brasil, devido à baixa oferta de órgãos, a gente realiza apenas 27% da demanda, da necessidade de transplante cardíaco no país”, aponta o coordenador clínico do programa de transplante.
Doações de órgãos caíram durante a pandemia de coronavírus
Hospital das Clínicas de Botucatu/Divulgação
Somente no estado de São Paulo, no mês passado, 135 pessoas aguardavam por um transplante cardíaco. Por isso, a chance dos irmãos é motivo de muita gratidão para a família.
“É agradecer às famílias que doaram aos meus filhos, porque é um bem, olha, maravilhoso que fizeram. Agradeço muito de coração”, completa Noeli.
VÍDEOS: assista às reportagens da região
Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília