Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO e especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, explica que conversar com alguém que fala uma língua diferente, ler um cardápio em um país estrangeiro ou assistir a um vídeo com legendas geradas dinamicamente já são tarefas possíveis com poucos toques na tela. Esse avanço é resultado direto da evolução dos modelos de linguagem.
Os tradutores automáticos vêm sendo utilizados há décadas, porém, por um longo período, entregavam resultados literais, com frases truncadas e erros de sentido. A chegada de redes neurais capazes de analisar o contexto completo de um texto resultou em uma mudança significativa na qualidade das traduções.
Na atualidade, a tecnologia está incorporada em uma variedade de dispositivos, incluindo aplicativos de mensagens, navegadores, fones de ouvido e plataformas de vídeo. A seguir, você vai entender como a tradução com Inteligência Artificial (IA) funciona, onde ela já é útil e quais são os limites que ainda exigem atenção.
Como a máquina aprendeu a traduzir?
Os sistemas utilizados no passado eram baseados em regras gramaticais e dicionários, traduzindo palavra por palavra ou expressão por expressão. Posteriormente, foram desenvolvidos modelos estatísticos que compararam milhões de textos já traduzidos com o intuito de identificar correspondências linguísticas entre os diferentes idiomas.
O ponto de partida para a mudança foi a aplicação das redes neurais. Ao invés de traduzirem partes isoladas, tais modelos analisam a frase e seu contexto no todo, o que permite a escolha de vocábulos mais adequados, a reordenação das expressões e a preservação do sentido original de maneira muito mais natural.
Nos sistemas de voz, o processo é realizado em etapas adicionais. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, observa que o processo de tradução ocorre em três etapas: primeiro, a fala é convertida em texto; depois, o texto é traduzido; e, por fim, transformado em áudio no outro idioma. Tudo isso é feito em poucos segundos, com apoio de processamento em nuvem ou no próprio dispositivo.
Onde a tradução automática funciona bem e onde falha?
Em circunstâncias do dia a dia, tais como viagens, compras e conversas informais, a tradução por meio de Inteligência Artificial frequentemente proporciona resultados bastante satisfatórios. Além disso, contribui para a compreensão de documentos técnicos, notícias e materiais educacionais em diferentes idiomas.

Como apontado por Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em software e inteligência artificial, as dificuldades aparecem em expressões idiomáticas, ironias, gírias regionais e referências culturais. Nesses casos, a tradução pode ser gramaticalmente correta, mas não capturar o sentido pretendido pelo autor.
Contratos, documentos médicos e textos jurídicos exigem atenção especial. Qualquer tipo de falha pode acarretar em alterações de obrigações ou informações relevantes. Portanto, a revisão de um tradutor profissional é imprescindível sempre que o conteúdo tiver consequências legais, financeiras ou de saúde.
A língua deixa de ser obstáculo, mas o contexto continua importando
A experiência de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira como CTO é um dos fatores que ajudam a compreender o motivo pelo qual a tradução automática constitui um dos usos mais concretos da inteligência artificial aplicada: trata-se de uma ferramenta que resolve um problema antigo, presente no cotidiano de milhões de pessoas.
A expectativa é que os sistemas se tornem progressivamente mais rápidos e intuitivos. Isso inclui traduções simultâneas em chamadas de vídeo e dispositivos vestíveis capazes de interpretar conversas em tempo real, aumentando o acesso a conteúdos e oportunidades.
Apesar dos avanços, a linguagem humana apresenta nuances que dependem de cultura, intenção e situação. A tecnologia promove a interação de pessoas com diferentes idiomas. Entretanto, o processo ainda requer um filtro humano para garantir a precisão das comunicações, tornando-as compreensíveis e eficazes.
Nesse cenário, a evolução da inteligência artificial tende a ampliar o alcance da tradução sem eliminar a necessidade de compreender o contexto de cada comunicação. O desafio está em combinar velocidade e automação com recursos capazes de reconhecer diferentes formas de expressão. Assim, a tecnologia pode atuar como uma ponte cada vez mais eficiente entre idiomas, pessoas e culturas.

